Entrevista com Roberto Crema

Data da Entrevista: 15 Junho, 2014 Entrevistado(a): Roberto Crema Entrevistador(es): Andrea Racy e Patrícia Vieira


Qual o papel da Pedagogia, enquanto ciência do ensino e da formação do ser, diante do cenário mundial atual?

Desde 11 de setembro de 2001, as pessoas conscientes estão se perguntando: O que é uma pessoa educada? O que é um país desenvolvido? Onde falhamos tão essencialmente?...
Um sintoma é um e-mail que recebemos, que precisa ser escutado e interpretado. Não meramente eliminado! Se no século XX presenciamos, horrorizados, a duas guerras internacionais e a outras três centenas de guerras menores; se iniciamos o século XXI com a face do terror e os seus sinistros desdobramentos, é evidente que a educação convencional tem fracassado, diante das questões fundamentais da existência humana. Como afirma o documento de Dellors, proposto pela Unesco desde 1997, são quatro os pilares de uma nova educação integral: educar para conhecer; educar para fazer; educar para conviver e educar para Ser.
Precisamos conspirar por uma nova pedagogia, que desenvolva um processo de alfabetização psíquica, facilitando o desenvolvimento da inteligência emocional, onírica, simbólica e relacional. E, também, de uma alfabetização noética ou consciencial, onde os valores fundamentais da espécie sejam cultivados e o aprendiz possa fazer render os seus talentos vocacionais. Trata-se de esclarecer para não esclerosar!

 

Como você define a transdisciplinaridade?

Eis uma palavra que é, também, senha e conspiração. Aponta para o fecundo e imprescindível diálogo da ciência com a filosofia, a arte e a espiritualidade. Em última instância, representa o encontro da ciência com a consciência. É uma abordagem que está sendo convocada, pela Unesco, desde a Declaração de Veneza (1986), sobretudo através da liderança ousada e lúcida de Basarab Nicolescu, e que temos desenvolvido, há dezessete anos, em nossos programas da Unipaz.
Eis a forma mais simples de definir a transdisciplinaridade: sair do cacoete para o samba!... Do cacoete das mesmices, dos automatismos, das miopias e estreitezas de visões meramente disciplinares e especializadas, para o resgate das articulações, do corpo, da alma e da consciência, de uma visão de altitude e de profundidade. Necessitamos de uma mente transdisciplinar, transcultural, transreligiosa, para transgredir a normose reinante, transmutando a dor em flor, a lama do desamor e injustiça crônica em lótus de um viver digno, nobre e verdadeiramente humano.

 

O que é normose?

Falando de uma forma global, há um paradigma já esgotado e que já não responde, criativa e efetivamente, as nossas questões mais fundamentais. Trata-se do racionalismo positivista, que enaltece o pensamento e a sensação, negando e reprimindo o sentimento e a intuição, jogando na lata de lixo da patologia a dimensão transcendente e os valores perenes. O espírito degenerou-se em intelecto, como denunciou Jung. Esta é a fonte óbvia dos grandes flagelos que assolam a humanidade, a exemplo da escalada da violência, da falência ética, da exclusão bárbara e da destruição genocida dos ecossistemas planetários. O novo paradigma holístico, centrado na consciência de inteireza, é uma resposta da inteligência de uma espécie ameaçada na sua sobrevivência. Ele mantém o positivo do modelo anterior, abrindo-o para uma visão global que pode orientar a nossa ação local, integrando saber e ser, conhecimento e amor, ação e contemplação.


Na transição paradigmática é que surge o que denominamos de normose, uma patologia da normalidade. Quando ainda domina o paradigma obsoleto, um desequilíbrio, caracterizado por contradições e sintomas, é instaurado no próprio sistema. O normótico é alguém ajustado ao sistema dominantemente mórbido que, através de sua adaptação, mantém o status quo. Neste caso, a pessoa realmente saudável é a que expressa um certo desajustamento justo, uma rebeldia criativa, uma angústia saudável.
A normose é uma patologia que possui um postulado sistêmico e outro evolutivo. Ser normal passa a ser uma doença quando o sistema encontra-se dominantemente mórbido, em estado de desequilíbrio e desarmonia. Quando prevalece a exclusão, a injustiça, a falta de cuidado, de escuta e de solidariedade, quando a violência, depredação ambiental, corrupção, o terror e o desamor passam a fazer parte de nosso cotidiano mais trivial, a normalidade torna-se uma adaptação doentia e uma forma perversa de manutenção do status quo.


Por outro lado, nós não nascemos humanos; nós nos tornamos humanos, através de um investimento em nosso potencial de despertar e de autorealização. Neste sentido, também é normótica uma pessoa estagnada em seu processo evolutivo, que não utiliza um mínimo de seu potencial de inteligência integral, de qualidade subjetiva, de consciência ética, de transparência e integridade, que enterra os talentos que lhe foram confiados.


Nós nos curamos da normose na medida em que nos conscientizamos desta anomalia da normalidade. É preciso ser capaz de um desajustamento saudável, de uma indignação lúcida, de um desespero sóbrio. Na medida em que nos tornamos o que Thoreau denominava de maioria de um!... Pierre Weil, Jean-Yves Leloup e eu acabamos de publicar, pela Verus Editora, o livro que se aprofunda nesta temática tão imprescindível, Normose - a patologia da normalidade.

 

Como antropólogo, dediquei-me ao estudo da antropologia das religiões comparadas, durante mais de duas décadas. Acabei integrando, nas minhas atividades de grupo e em minhas publicações, o produto desta pesquisa, uma antropologia dos estados de consciência, que explora o universo vasto da subjetividade e intersubjetividade. Como psicólogo, fiz formação em diversas escolas da psicologia humanística e transpessoal. Na minha jornada, foram definitivos meus encontros com Pierre Weil e Jean-Yves Leloup, duas referências internacionais no terreno fértil e crescente de uma psicologia aberta às fontes imprescindíveis de uma espiritualidade viva e autêntica, com quem tenho colaborado, desde então.

 

Tenho desenvolvido o que denomino de Quinta Força em Terapia: uma abordagem transdisciplinar holística no campo da saúde, que integra o plano pessoal ao transpessoal, a análise à síntese, a razão ao coração, a sensação à intuição, focada na alquimia do Encontro e no norte da Inteireza.

 

Confio que estamos nos primórdios de uma exploração globalizada da esfera psíquica e noética, que desvelará o potencial de inteligência integral, o mais valioso patrimônio da humanidade.

 

O que precisamos desaprender e reaprender, para obtermos maiores e melhores resultados?

É necessário ousar saltar para o desconhecido, saindo dos trilhos viciados para as trilhas inusitadas. Esvaziar-se do passado para abrir espaço para o novo. Para tal, é necessário o exercício lúcido do desapego e o resgate da visão inocente que é capaz de capturar o Instante. Eis a arte alquímica das bodas de Canã: da transmutação da água estagnada em bom vinho de renovação e de criação permanente. Trata-se da nobre tarefa de aprender a não saber, uma arte que os antigos denominavam de douta ignorância.

 

O que, na sua opinião, é essencial que a Pedagogia ensine e as crianças aprendam?

O mais fundamental é facilitar que o aprendiz desvele o seu potencial vocacional. Todos somos filhos e filhas de uma promessa que nos fizemos. A essa voz íntima de nosso desejo mais essencial é o que denomino de vocação. Creio que, com este conceito, poderemos transcender o enfoque alienado da especialização, sem a regressão simplista ao ideal generalista. Indagar pelos sonhos da criança, pelos seus anseios mais profundos, por sua vivência de plenitude, é muito importante, nesta pesquisa de cavar a poço de sua alma, rumo à promessa inerente ao seu Ser. Em outras palavras, o aluno é o seu próprio livro de estudo. Ele necessita virar e estudar cada página, até descobrir o Autor, como afirma Leloup.


Não se trata, portanto, de priorizar as informações e os conhecimentos, que se encontram nas bibliotecas virtuais da Internet e por toda parte, numa verdadeira curva exponencial. Trata-se, sim, de facilitar que o aprendiz possa aprender a discernir; possa desvelar a sua condição de Sujeito, para se reorientar em seu passo a passo, no caminho com coração.

 

Defina a Pedagogia Iniciática.

Necessitamos de uma nova educação, centrada no aprendiz e seus talentos vocacionais próprios. É preciso colocar a alma e o coração nos bancos escolares. É a própria Unesco que, através de sólidos e inteligentes documentos, está nos propondo, há décadas, uma abordagem transdisciplinar na educação, através de quatro pilares básicos: educar para conhecer, educar para fazer, educar para conviver e educar para Ser. As escolas convencionais apenas atendem, e de forma fragmentada, aos dois primeiros. Uma educação para conviver implica no processo de alfabetização psíquica. É preciso desenvolver a inteligência emocional, atitudinal, onírica e relacional. Por outro lado, é muito importante desenvolver, de forma integrada e harmônica, as quatro funções psíquicas: a sensação e a intuição, o pensamento e o sentimento, ou seja, a razão e o coração.


Quanto a educar para Ser, exige uma pedagogia iniciática que, através de uma via interior, facilite ao Aprendiz inclinar o coração para aprender e se desenvolver, rumo ao desenvolvimento pleno do seu potencial de criatividade, sabedoria, amor e plenitude. Enfim, necessitamos de uma escola do olhar, da escuta e da atenção. É tempo de educar educadores.


Neste sentido, estamos diante da tarefa de resgatar o que denomina de uma educação perene. Para tal, necessitamos conservar o positivo da modernidade, aliando-o com o positivo das tradições sapienciais, com suas tecnologias de transmutação consciencial, de despertar a inteligência sintética para a vivência de não-separatividade e de comunhão. Há mais de dois milênios, Mestre Confúcio nos indicava este horizonte, quando afirmava:
Aos 15 anos orientei o meu coração para aprender.
Aos 30, plantei os meus pés firmemente no chão.
Aos 40, não mais sofria de perplexidade.
Aos 50, eu sabia quais eram os preceitos do céu.
Aos 60, eu os escutava com o ouvido dócil.
Aos 70, eu podia seguir as indicações de meu próprio coração, pois o que eu desejava já não mais excedia as fronteiras da Justiça.

 

A espiritualidade na qual esta Pedagogia se baseia não poderia ser confundida na sua angulação pragmática, com religião?

Espero que não, pois a religião tem sido mais parte do problema do que da solução. Basta constatar que, das 35 guerras que transcorrem atualmente, 32 tem causas religiosas! Precisamos respeitar todos os credos, todas as religiões, pois todas tiveram origem numa mesma fonte: o amor em movimento. Entretanto, o que enfatizamos é uma espiritualidade transreligiosa, que se suporta em valores perenes e na experiência do sagrado. Compreendo por espiritualidade, como Einstein, este espanto diante do Mistério da Vida. Na sua essência, é amor; na prática, é fraternidade e solidariedade. A Igreja do Amor é a única que não mata, pois, como afirmava Exuperry, o amor é este mistério, que apenas temos na medida em que partilhamos.


Quando foi estabelecido, no século XVII, um princípio de antagonismo entre a ciência e a espiritualidade, o conhecimento se desvinculou do amor e da fraternidade. Assim, a roda da destruição foi colocada em marcha, naturalmente. Toda guerra é produto de fronteiras, que a mente analítica cria sem cessar. Pois analisar é criar fronteiras; é dividir o todo em suas partes, um método de decomposição redutivo-causal.


Assim, necessitamos de um método sintético, que complemente o analítico. É fundamental resgatar, nas escolas, o que denomino de função sintetista, uma inteligência de religação e de integração, que jogue pontes entre as fronteiras. Uma escuta da totalidade, que vincule e estabeleça laços de conectividade, de cooperação. Necessitamos de transcender os jogos competitivos, com a sua lógica de exclusão, pelos jogos cooperativos, onde todos possam vencer. Um bom protótipo é o frescobol: quem joga apenas vence se o outro estiver, também, vencendo...


Enfim, necessitamos despertar uma consciência de comunhão. Se não aprendermos a comungar, então seguiremos consumindo e degradando, cada vez mais, e irremediavelmente, nosso habitat, nossa casa comum. Fazemos parte de uma só família, dividimos a mesma terra e o mesmo céu, bebemos da mesma fonte e estamos num único barco. Como já disse um líder, não haverá uma segunda Arca de Noé...

 

Qual a função da família na construção da visão integral do mundo e da vida? Como os pais podem ajudar nesta missão?

Os pais deveriam ser os primeiros educadores e terapeutas. Os principais ingredientes para que o sistema familiar seja saudável são a escuta, o cuidado afetivo, a aceitação incondicional do outro enquanto outro, a confiança e o respeito. É fundamental o acolhimento das diferenças individuais, através de uma ética da diversidade, juntamente com a consciência de não-separatividade. Uma família saudável é a que consente na própria morte, permitindo que os filhos e filhas partam para a realização de suas metas. Amar é saber dizer Venha! e Vá! Venha para os meus braços! Vá para ti mesmo!

 

O que é essencial ao bom educador?

Um bom educador é como um bom jardineiro. Prepara um solo fértil, adubando-o de forma bem dosificada, podando justamente - cada planta necessita de uma poda especial -, dialogando e cantando para a biodiversidade de seu jardim. Mais do que um conhecedor de botânica é um amante das plantas. Que não compara um lírio com uma rosa, exigindo dos dois o mesmo currículo e a mesma performance, naturalmente. Enquanto restar um bom manual de jardinagem, poderemos reconstruir a educação, para que as escolas se transmutem em jardins floridos de seres humanos, dotados de semblantes, na centralidade do Sujeito, nas trilhas da vocação.

 

Em sua opinião, quais as maiores dificuldades e oportunidades num momento de mudança?

O maior obstáculo é o apego ao passado, aos valores do ter e do poder, à obsessão do lucro e resultado a qualquer preço, o medo de desabrochar e de Ser. Por outro lado, uma grande crise é sempre uma grande oportunidade de aprender e evoluir. É muito gratificante constatar que os Mutantes - um termo que Pierre Weil utiliza, para contrastar com os Estagnantes, em seu livro mais recente - estão despertando, em todo o planeta. Acabamos de testemunhar a deflagração de uma guerra, com conseqüências ainda imprevisíveis e, talvez, avassaladoras, causada pela demência de se querer combater a violência com uma violência maior. E, no entanto, presenciamos uma expressão nunca antes vista, de multidões de todas as nacionalidades e em todo o mundo, que clamam pela paz.Confio que, nestes estertores de agonia e de assombro, estamos testemunhando o nascimento de uma nova humanidade, mais íntegra e vasta, que conciliará os valores da matéria com os do espírito. O grande desafio é o da reconstrução do humano, a partir dos escombros inevitáveis de um sistema insustentável. É o que gosto de traduzir como uma grande travessia, da demolição, lição do demo, à reconstrução, ação do Ser. Estamos convocados a evoluir do amor ao poder para o poder do Amor...

 

A manutenção da nossa saúde depende de uma visão integral do que é ser humano. Dentro desta visão, quais os principais fatores que contribuem para a saúde e para a doença?

Do ponto de vista organísmico, saúde é uma tendência para o nutritivo, o integrativo, o harmônico. A doença é uma tendência para o tóxico, o desintegrativo, o desarmônico. Há três esferas da existência onde o circuito saudável ou patológico se expressa: o plano físico, o psíquico e o consciencial. Geralmente, é a partir do universo mais sutil, o consciencial, que os processos patológicos ou curativos se irradiam ao psicossomático. O desenvolvimento da consciência, de onde emanam os valores éticos e espirituais, é fundamental para a saúde do corpo e da alma.

 

Você falou em crise da fragmentação, da falta de cuidado, falta de visão e de escuta por parte do ser humano. O que podemos fazer, de concreto, para reverter esta situação vivida por toda a humanidade?

Cada um de nós encarna um pedacinho de praça pública. É no espaço de nossa morada interior que, inicialmente, necessitamos buscar introduzir ordem, harmonia, amorosidade solidária e paz. Como não estamos separados do grande universo, quando nos pacificamos e cultivamos a inteligência integral no pedacinho de mundo que nos foi confiado, então podemos transpirar esta conquista para a ecologia social e ambiental. A mudança do mundo tem início em nossos próprios corações. As revoluções fracassam por serem tentativas de mudar a realidade exterior sem o pré-requisito da autotransformação. Mudar o mundo é, antes de tudo, mudar o olhar...

 

Qual seria, na sua opinião, a melhor forma de combater a violência e o medo que dominam as grandes cidades? Como, de forma prática, podemos fazer nascer a cultura de paz nas pessoas?

Necessitamos, mais do que nunca, de uma educação para a paz e não-violência. É o que estamos desenvolvendo e irradiando, há quinze anos, na Unipaz, através de múltiplos programas e projetos centrados na ecologia individual, social e ambiental. A Arte de Viver em Paz é um de nossos seminários consagrados, fundamentado no livro de Pierre Weil, publicado pela própria Unesco em vários idiomas. É uma proposta que pode e deve ser inserida nos programas escolares e universitários, assim como tem sido aplicada nas organizações e instituições mais diversas. Basta lembrar um projeto que estamos levando a cabo com centenas de Agentes de Segurança Pública, na Unipaz de Brasília. A Formação Holística de Base é outro programa que estamos oferecendo em dezenas de cidades do Brasil, e também em Lisboa. É uma verdadeira escola de liderança, que visa preparar os agentes de transformação e de reconstrução do século XXI. Sempre podemos acender uma vela ao invés de apenas reclamar da escuridão!

Numa sociedade dominada pelos meios de comunicação, pela publicidade, pela estética e pelo consumo exagerado, como ensinar às pessoas e principalmente às nossas crianças sobre a noção real do que é ser humano e do verdadeiro sentido da vida?

O que considero mais importante para os facilitadores e cuidadores da causa humana, é fornecer um testemunho possível de inteireza e de integridade, através dos atos práticos da existência cotidiana. Caminhar de forma mais firme e ereta a cada dia, apesar de todas as contradições, desvios e dos sintomas que apontam para a grave doença social, de uma civilização em processo de declínio e de decadência. Nos meios mais desenvolvidos economicamente, podemos praticar a simplicidade voluntária. Nos mais carentes, podemos conspirar pelo conforto essencial, só para mencionar dois conceitos emergentes, do paradigma ecológico e holístico. São os exemplos e não os discursos que podem inspirar e contagiar outras pessoas, para este mutirão consciencial em prol do nascimento de um novo ser humano, mais inteiro, consciente e digno, reconciliado nas dimensões indissociáveis da sabedoria e do amor. Temos contas a prestar às gerações vindouras.

 

Por que as pessoas têm tanta dificuldade em entender o outro? Por que há tantas disputas e guerras no mundo?

Só compreende o outro quem aprendeu a se conhecer, quem conquistou um centro, colocando em ordem a sua própria casa: este corpo, esta psique, esta consciência. Os velhos gregos afirmavam, há milênios: Conheça-te a ti mesmo. Outro princípio de sabedoria complementar é: Nada em excesso. Toda a megacrise contemporânea é produto do desconhecimento de si, da ignorância existencial, e do excesso de ego, do egocentrismo. Não será a lógica que criou o problema que irá resolvê-lo, naturalmente. Necessitamos de uma inteligência transegóica, transpessoal, fundamentada na consciência de não-dualidade, nas fontes vivas da autêntica espiritualidade que se traduz por amor solidário. O ego precisa ser orientado pelo Ser. É na medida desta conquista que, como afirmava o Profeta, transformaremos nossos canhões em arados, nossas disputas em sinergia de encontros, nossas manipulações em fraternidade. Como afirma um dos princípios da Internacional de Consciência, de Leloup, a economia necessita ser submetida à política e a política precisa ser orientada pela sabedoria.